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Machado de Assis escreveu em 1880 as Memórias Póstumas de Brás Cubas, o romance fundamental de nossa literatura. Em uma narrativa provocativa e irônica, que parte das digressões do defunto Brás Cubas, o personagem expõe já no início o relato de sua própria morte e funeral. Por seu caráter bastante peculiar, aliado a seu autor defunto, o romance produziu um abalo na estrutura da ficção brasileira da época. Hoje incontestavelmente aclamado, Memórias Póstumas foi inicialmente recebido com certo estranhamento. A obra, de uma maneira astuciosa, faz um retrato do estilo de vida da aristocracia brasileira, que alçava voos nos modos de vida da burguesia europeia, sobretudo francesa, mas que caminhava em um solo marcado pela escravidão e por todas as especificidades da colônia. Machado é para ser lido e relido, apreciado, reconfirmado – nunca é demais. Como diz Nícea Helena Nogueira, nosso escritor 'fora da curva', em sua ficção cômica e amarga, antecipa os modernistas e pós-modernistas do século XX